Informativo: Abril de 2007 - Número 13

Desafios e oportunidades para o setor Metalmecânico

Fonte: João Marcos Del Puppo


O nosso principal desafio é passar de prestadores de serviços para fornecedores de bens de capital, aproveitando os investimentos previstos para o Estado.

O setor metalmecânico capixaba tem participado da história do desenvolvimento econômico do Espírito Santo e, de forma mais significativa, com a implantação dos grandes projetos a partir da década de 70. Mas ele não pôde ter uma participação maior, naquele momento, por não estar capacitado em estrutura industrial, gerencial e de qualificação de mão-de-obra para atingir uma fatia maior de mercado.

A partir da década de 1990, o arranjo metalmecânico vem assumindo maiores índices de participação local nos projetos de expansão das grandes empresas aqui instaladas. Hoje, com o enorme salto de qualidade na capacitação das empresas, atingimos respeitáveis 30 por cento de participação local. Deveríamos estar satisfeitos com os números, mas não estamos. Este é o grande desafio do setor, liderado pelo Sindifer, sindicato filiado à Findes; e pelo Centro de Desenvolvimento Metalmecânico (Cdmec).

O volume de investimentos no Estado, previstos até 2011, chega a R$ 26 bilhões, mas com características diferentes daquelas das décadas anteriores. São investimentos que demandam empresas ainda mais qualificadas e com maior capacidade para agregar valor aos fornecimentos. A tecnologia, seja ela própria, sob licença, ou através de transferência, deverá ser o instrumento para um novo salto que o setor requer e a sociedade capixaba espera.

O Governo do Estado, através da Sedes, lançou um programa para o desenvolvimento do Arranjo Produtivo Local (APL) do setor metalmecânico, dentre outros importantes setores. O objetivo é o de identificar o perfil desejável das empresas para participarem do novo ciclo de desenvolvimento econômico do Estado. O foco é na promoção do crescimento das empresas, do número de empregos gerados e, por conseqüência, em maior distribuição de renda. Estamos realizando um trabalho, ainda em fase preliminar, com o apoio de diversas instituições locais, para estabelecer uma estratégia para o setor. Vamos identificar os gargalos, seus desafios e oportunidades para que o APL Metalmecânico estabeleça novos patamares de participação nos investimentos e se torne capaz de fornecer para o mercado nacional o que já é alcançado por algumas importantes empresas do setor, e quem sabe, até internacional.

O principal desafio é passar de prestadores de serviços para fornecedores de bens de capital – equipamentos e peças de reposição – para os setores de mineração, siderurgia, papel e celulose e, especialmente, para o setor de petróleo e gás, que deverá receber os maiores investimentos. Isso demandará uma maior capacitação gerencial das empresas, de seu do corpo técnico e qualificação dos empregados de “chão de fábrica”, além de investimentos em instalações físicas e equipamentos de última geração. Com isso, teríamos a oportunidade, até 2011, de aumentar as vendas em até 50 por cento, o número de empregos em 30 por cento e dobrarmos a receita por empregado/ano.

O setor, que começou através do esforço de tantos empreendedores, alguns anônimos, autodidatas e em condições precárias, nos deixou um legado que se faz presente pelo respeito alcançado na economia capixaba, pela criação de muitas empresas, milhares de empregos. Agora temos a oportunidade,
e a obrigação, de dar continuidade e ampliar a nossa capacidade de participação no crescimento econômico do Estado. Este e o nosso grande desafio e a enorme oportunidade.




  



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