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César: Dedicação ao setor, como empresário e como líder patronal
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César Daher Carneiro não se tornou nome do prédio aonde vai se situar a próxima e moderna sede do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer) por acaso. Ele tem toda uma vida dedicada ao setor, tanto como empresário quanto como líder sindical patronal.
Capixaba nascido em Paul, mas registrado em Vitória no dia 03 de setembro de 1931 – “minha mãe preferiu assim” –, estudou até o 2º ano do curso de Direito, quando completou 18 anos e teve que ir para o Rio de Janeiro servir ao Exército, em 1950. Tinha o plano de voltar e concluir o curso, mas encontrou o pai doente e não teve escolha: arregaçou as mangas e foi trabalhar na MG Carneiro & Cia, a empresa de secos e molhados da família, que ficara na antiga Rua do Comércio, localizada no Centro de Vitória.
Chegou a representar duas transportadoras de Campos (RJ) – Rica e Expresso Campista – mas, após 1962, com a morte do pai, ficou pouco tempo tocando os negócios de secos e molhados da família. Logo em seguida montou a Codepe, a fábrica de latas que envazava querosene.
Pouco tempo depois se afastou e, com dois sócios e mais o irmão, José Daher Carneiro, montou outra fábrica de latas. Desta vez a Semetal, também envolvida com litografia e que negociava com empresas do Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais.
Desta época, César guarda um orgulho: “montamos o primeiro laboratório de fotolitos do Espírito Santo”. Isso também não duraria muito tempo. Por desavenças com os sócios, deixou a empresa, trabalhou durante dois anos como Chefe do Setor de Importação da Dalla Bernardina e, em seguida, fundou a terceira e última fábrica de latas que teria: a Ray-Car, que funcionou inicialmente na Avenida Fernando Ferrari e, por último, em Carapina.
Com o infarto sofrido em 1983, deixou o trabalho industrial e passou às consultorias. Faltava pouco para a aposentadoria completa – que chegou em 1985 – e ele então já estava envolvido com o Sindifer.
Período difícil no Sindicato
No Sindicato, César entrou pela primeira vez como membro da diretoria em 04 de maio de 1971. Mas foi durante o período duro das greves da década de 1980 que precisou aprender a negociar. Para isso, freqüentou muito a Fiesp, em São Paulo. É que nos anos 80 o movimento sindical recrudesceu, os sindicatos de trabalhadores se prepararam para isso “e nós fomos pegos de surpresa”, admite ele.
Era a época das negociações duras, dos movimentos grevistas e do surgimento da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, no final do chamado regime militar. “Era um período muito difícil nas relações de trabalho. A partir daí tivemos que nos preparar. Para tanto, começamos a tomar parte em simpósios, seminários e congressos e todo ano participávamos das negociações da Fiesp. Se por um lado foi difícil, por outro isso fez com que, por necessidade, os sindicatos patronais crescessem muito”, diz César.
Ele se recorda, com orgulho: “Durante o período à frente do Sindifer negociamos com vários sindicatos laborais, sendo que o Sindimetal foi o que mais nos exigiu. Nossas dependências físicas não comportavam mais as necessidades do Sindifer e, em 1995, adquirimos a sede atual – três salas e mini-auditório - onde passamos a trabalhar”.
César se lembra de que de 1980 a 2003 foram fechadas com o Sindimetal 23 negociações trabalhistas “sem que para isso utilizássemos a Justiça do Trabalho. Enfrentamos greves, mas mesmo assim houve êxito. Fechamos vários acordos com sindicato do Sul do Estado, dos Eletricitários e outros, menores”.
Em 2003 foi adquirido o terreno onde está a sede que será inaugurada mês que vem. César pagou por ele, pelo projeto inicial e depois planejou sua sucessão após 33 anos gerindo o Sindicato sem que houvesse outra chapa para disputar as
eleições. “Fizemos um trabalho de escolha de empresários honestos e capazes de realizar os sonhos do Sindifer, para passá-lo a eles. E a nova diretoria pegou nosso projeto da sede nova, simples, e em boa hora resolveu modificá-lo, fazendo-o mais bonito. É muito simples minha vida, não”, pergunta ao final do relato, modesto.
Um chorão no Maracanã
“Eu era um dos 200 mil chorões do Maracanã”, lembra César Daher Carneiro. É que, em 1950, como já foi dito, ele teve que de mudar para o Rio de Janeiro prestar o serviço militar ao Exército.
No dia 16 de julho, às 16h50m, quando Chiglia marcou o segundo gol da vitória do Uruguai contra o Brasil, na final da Copa do Mundo de 1950, a única disputada em terras brasileiras, ele chorou junto com os demais torcedores que haviam superlotado o estádio.



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