Indústria cai 2% e compromete o PIB
Durou pouco o suspiro da indústria. Após o governo comemorar os dados de abril e, a partir deles, vislumbrar uma retomada na produção, os números divulgados ontem confirmaram a dificuldade do setor em engatar um ciclo de aceleração sustentável. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou recuo de 2% da atividade industrial em maio, ante o mês anterior. O desempenho, bem abaixo do esperado pelo mercado, foi o mais fraco desde fevereiro.
O freio generalizado na produção atingiu 20 dos 27 ramos pesquisados. As indústrias de alimentos (-4,4%), de máquinas e equipamentos (-5%) e de veículos automotores (-2,9%) responderam pelas principais influências negativas. Embora o resultado tenha sido 1,4% superior ao registrado no mesmo período de 2012, o cenário preocupa, porque a atividade reverteu o ganho de 1,9% do mês anterior, num momento em que não há estímulos para o setor dar a volta por cima.
Não bastassem os desafios diante da invasão de produtos importados e da exportação arrefecida pela desaceleração do mercado externo, a indústria brasileira sentiu o baque de uma inadimplência resistente e do endividamento recorde das famílias. "Sem demanda suficiente, houve uma formação indesejada de estoques, e o setor precisou compensar reduzindo a produção", avaliou o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Luiz Macedo.
O resultado traçado pelo IBGE reflete o aumento dos riscos associados à economia brasileira, na opinião do economista Flávio Combat, da Concórdia Corretora, o que levou os industriais a adiarem e a cancelarem investimentos. O presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Antônio Rocha, confirmou o desânimo e disse que não há sinais de recuperação. "Ficamos para trás mesmo", lamentou.
Fase delicada
Para o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, a situação cambaleante da indústria contribui para derrubar as projeções do PIB deste ano para próximo de 2%. "É preocupante", afirmou, antes de destacar que os dados de maio não levam em conta o efeito das manifestações em todo o país nas últimas semanas. "É provável que os protestos tenham subtraído entre um ou dois dias de produção, na média do mês, uma queda de quase 10% entre os dois períodos", adianta. A atividade industrial vive uma fase ainda bastante delicada e "carece de força", sustentou a economista do Banco ABC Brasil Mariana Hauer.