Indústria no Brasil recua em novembro, mas resultado é melhor que esperado
A produção industrial brasileira caiu 0,2 por cento em novembro sobre outubro, interrompendo três meses seguidos de alta, mas o resultado foi melhor que o esperado e garantiu expansão de 0,4 por cento na comparação anual. Ainda assim, o dado divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira não foi suficiente para melhorar as expectativas sobre a atividade.
"Apesar de o governo ter se movido na direção correta com concessões, esses investimentos ainda vão demorar a maturar. Até lá, a expectativa é de que a indústria continue tendo esse crescimento pífio", avaliou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, estimando expansão em 2014 de pouco mais de 1 por cento da produção industrial.
Em novembro, o destaque ficou para a categoria Bens de Capital, uma medida de investimento, que mostrou retração de 2,6 por cento sobre outubro, também quebrando uma sequência de três altas seguidas. Mas sobre novembro de 2012, a categoria teve expansão de 9,6 por cento.
"A contração em bens de capital sugere que o ímpeto por trás dos investimentos pode estar enfraquecendo", disse o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos, em nota.
Mesmo com o forte recuo mensal, Bens de Capital acumularam uma alta de 14,2 por cento no ano até novembro, depois de ter encerrado 2012 com queda de 11,8 por cento. Segundo o economista do IBGE André Macedo, a queda em novembro foi pontual e está ligada à menor produção de caminhões.
"O resultado (geral da produção industrial) não é tão negativo como parece ser o número final. Foi uma queda muito concentrada", avaliou o economista do IBGE André Macedo. Ele mesmo ponderou, porém, que a queda vista na atividade toda em 2012, de 2,6 por cento, não deve ter sido recuperada em 2013.
A categoria Bens Intermediários apresentou alta mensal de 1,2 por cento em novembro, a maior desde agosto de 2012 (+2,1 por cento), segundo o IBGE. Sobre um ano antes, essa atividade mostrou expansão de 1,3 por cento em novembro.
O bom desempenho está ligado ao maior refino de diesel, gasolina e álcool, a outros produtos químicos e a metalurgia básica.
Entre as atividades pesquisadas pelo IBGE, o destaque ficou para a queda de 3,2 por cento na produção de veículos automotores, o segundo resultado negativo seguido e que devolveu parte do ganho de 9,1 por cento visto em agosto e setembro.