Mineradoras buscam redução de custos em cenário difícil
Mais do que nunca, as grandes mineradoras globais têm focado a redução do custo de produção para transpor a iminente queda dos preços das commodities prevista para os próximos anos. Com a desaceleração do apetite chinês por minério de ferro, companhias como a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton têm apostado em minas de alta qualidade e baixo custo de extração, além de logística integrada, para viabilizar seus bilionários programas de investimentos.
"Nossa jornada para entregar produtividade sustentável passa por uma revisão completa da cadeia de suprimentos, o que inclui minas, ferrovias e portos", afirmou em comunicado o presidente da divisão de minério de ferro da BHP Billiton, Jimmy Wilson.
A BHP, assim como a Vale, tem investido em projetos que combinam minério de alta qualidade e logística integrada, o que otimiza a produção e reduz custos operacionais, diminuindo a dependência da China.
Segundo o analista de mineração e siderurgia da Tendências Consultoria, Bruno Rezende, o país asiático ainda deve ser o principal motor do mundo em termos de crescimento de demanda por commodities, no entanto, há ressalvas.
"Quando pensamos em trajetória, a perspectiva é de desaceleração da China e retomada das economias desenvolvidas. Os maiores riscos, consequentemente, estão relacionados ao cenário de crescimento do país asiático", avalia Rezende.
Para o analista-chefe da SLW Consultoria, Pedro Galdi, a estratégia adotada pelas mineradoras tem sido a de reduzir custos ao máximo para fazer frente à queda dos preços. "A Vale está diminuindo o seu custo de produção e a Rio Tinto e a BHP estão seguindo o mesmo modelo", diz.
De acordo com estudo da Bloomberg Industries, hoje a tonelada de minério de ferro entregue pela Vale na China custa em torno de US$ 55 já com o frete. Porém, a companhia trabalha fortemente para reduzir estes custos. Nesta segunda-feira, a mineradora informou a chegada do primeiro navio Valemax no terminal marítimo e centro de distribuição Teluk Rubiah, na Malásia. O aporte no empreendimento foi de US$ 1,37 bilhão. "É mais um grande passo da Vale na consolidação de sua estratégia de distribuição para a Ásia", afirmou em nota o diretor-executivo de ferrosos e estratégia da Vale, José Carlos Martins.
Além dos centros de distribuição para estar próxima da China e, consequentemente, ganhar share sobre as concorrentes australianas, a Vale investiu vultosas cifras em seus supernavios, que transportam de uma vez só até 400 mil toneladas de minério.
No entanto, hoje o menor custo de produção ainda é da anglo-australiana Rio Tinto, de cerca de US$ 46 a tonelada, segundo estudo da Bloomberg Industries. A BHP consegue produzir a uma média um pouco mais próxima da Vale, de US$ 53 a tonelada.
Para o advogado especializado em direito minerário Bruno Feigelson, sócio do Ribeiro Lima, hoje as empresas do setor não conseguem escoar o minério caso não invistam em distribuição.
"A tendência cada vez maior é de uma interiorização dos projetos de minério de ferro. Atualmente, as mineradoras precisam ser empresas de minério e também de logística", diz.
Feigelson destaca que existem bons projetos de minério no Brasil, mas que não conseguem sair do papel principalmente por conta da questão logística.
"Todos esses grandes projetos têm alto risco e estão condicionados a infraestrutura, que tem um custo altíssimo. Por isso, a dificuldade das mineradoras em vender novos projetos, porque poucas têm dinheiro em caixa para bancá-los", pondera o advogado.