Brasil vai manter ritmo baixo de crescimento, projeta a OCDE
O crescimento em grandes economias em desenvolvimento, como China, Brasil, Índia e Rússia, deve continuar a desacelerar durante os próximos meses, mas a expansão seguirá firme na maioria das economias desenvolvidas, de acordo com indicadores antecedentes de março divulgados ontem, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Os indicadores antecedentes têm sugerido que um reequilíbrio do crescimento econômico global está em curso, com as grandes economias em desenvolvimento desempenhando um papel crucial menor do que nos anos após o início da crise financeira de 2008.
Mas, com o crescimento nas economias desenvolvidas ainda modesto, uma nova desaceleração em grandes países em desenvolvimento ressalta preocupações sobre a força da economia global como um todo neste ano.
"Indicadores antecedentes compostos [CLI, na sigla em inglês] apontam para um enfraquecimento do crescimento nas principais economias emergentes", disse a organização.
"Para a OCDE, os CLIs apontam para um ímpeto constante de crescimento".
O crescimento econômico global desacelerou ligeiramente nos últimos três meses do ano passado. A produção combinada de membros do G20 - que juntos respondem por 90% da atividade global - teve crescimento de 0,8% em relação ao terceiro trimestre, uma desaceleração em relação ao avanço de 0,9% registrado nos três meses até setembro.
Isso ocorreu em parte devido à desaceleração significativa na Índia e na China. Dados de muitas economias ainda não estão disponíveis para o primeiro trimestre deste ano, mas aqueles que já foram publicados não apontam para uma forte recuperação. A economia dos Estados Unidos desacelerou acentuadamente em resposta ao clima severo do inverno, enquanto a economia da China cresceu no ritmo mais lento em 18 meses.
Os números das principais economias europeias serão publicados amanhã e há expectativa de que mostrem uma ligeira aceleração do crescimento durante o primeiro trimestre, embora a comparação seja feita a partir de níveis muito baixos.
Com base nas informações relativas a março, os indicadores antecedentes de China, Brasil e Rússia caíram, enquanto o da Índia (97,7) manteve-se inalterado. Todas as quatro medidas ficaram abaixo de 100. O do Brasil caiu de 98,5 em março para 98,4, enquanto na China o indicador passou de 98,9 para 98,8. O indicador da Rússia caiu de 99,4 para 99,2.
O indicador antecedente para os 34 membros da OCDE permaneceu inalterada em 100,6 e ficou estável para os EUA (100,4), Reino Unido (101,0), Canadá (99,8), Alemanha (100,8) e França (100,4). No entanto, dado para a Itália aumentou e agora aponta para uma mudança positiva, passando de 101,3 para 101,5. Elevando a leitura para a zona do euro como um todo, que também sinaliza uma recuperação do crescimento, com alta para 101,2, de 101,1.
Os indicadores da OCDE visam fornecer sinais iniciais de pontos de viragem entre a expansão e desaceleração da economia.