Estudo revela que o setor de mineração do Brasil é competitivo
Ao contrário da maior parte dos segmentos industriais brasileiros, a mineração ainda tem a competitividade como um de seus aliados e diferenciais no mercado internacional. O estudo "Minério de ferro", desenvolvido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com a colaboração da empresa de consultoria Accenture, revelou que, apesar de a competitividade do Brasil ter diminuído, ele continua sendo o país com o menor custo médio de produção de minério de ferro, seguido pela Austrália e pela África do Sul.
Para se ter uma ideia, em 2012, o custo médio de produção de mina foi de 80,03 centavos de dólar por tonelada métrica seca (c/dmtu). O Brasil apresentou o menor custo médio: 41,10 c/dmtu, cerca de 20% abaixo do segundo menor custo, que foi da Austrália - 51,72 c/dmtu.
A África do Sul também se mostra com relativa competitividade, com o terceiro menor custo entre os países selecionados - de 62,30 c/dmtu -, enquanto a China tem o maior custo médio - de 152,70 c/dmtu. Já as médias estimadas para 2013 para o Brasil e a Austrália são, respectivamente, de 43,40 c/dmtu e 55,80 c/dmtu.
O gerente sênior da área de Estratégia da Accenture no Brasil, Jacques Moszkowicz, explica que a condição brasileira, inclusive, deverá permitir, nos próximos anos, expansão na participação do mercado mundial, com o aumento de capacidade previsto. Isso porque, segundo ele, mesmo com a desaceleração econômica chinesa, a expectativa de manutenção da demanda por minério de ferro nos próximos cinco a dez anos é unânime junto aos líderes das principais mineradoras do Brasil.
Infraestrutura - "Essa é a grande questão: o que vai ser da China e do mercado mundial diante da sua desaceleração econômica. Porém, apesar de os indicadores mostrarem que o crescimento do gigante asiático não seguir no mesmo ritmo, o nível de desenvolvimento ainda é alto e a taxa de urbanização tende a continuar a crescer. Assim, os investimentos em infraestrutura também tendem a continuar. De certa maneira, o governo chinês vai ter que identificar alguma solução para dar continuidade aos projetos de mobilidade, desenvolvimento urbano e escoamento de produção", explica.
E é, justamente, a manutenção da atividade econômica do país que promete manter o aquecimento da demanda pelo insumo. Segundo o estudo, os investimentos em infraestrutura não apresentarão a magnitude observada até então, mas ainda haverá atividade suficiente para a manutenção da demanda aquecida. Exemplo disso são as atuais taxas de ocupação das ferrovias chinesas, que se encontram em níveis de utilização superiores aos de alguns países da Europa e Japão.
O levantamento mostrou ainda as incógnitas que pairam quando o assunto é o preço do minério. De acordo com Moszkowicz, não existe consenso sobre a cotação da commotidy. Existem aqueles que arriscam em alta dos preços e outros que trabalham com expectativa de valores bem abaixo dos patamares já registrados.
"O consenso é que não vamos mais margear os patamares de US$ 150 por tonelada do ano passado, mas também não chegaremos aos níveis catastróficos de US$ 70 ou US$ 75 por tonelada. Devemos ficar entre US$ 100 e US$ 120", diz.
Quanto aos desafios a serem enfrentados pelo setor minerário brasileiro a fim de que mantenha sua competitividade no mercado global, Moszkowicz destaca as práticas ambientais e a aprovação do novo Marco Regulatório da Mineração. "O primeiro porque a indústria, no passado, lidou com práticas predatórias quando de suas atividades e hoje paga o preço devido às exigências praticadas, por lei. Já o novo marco promete dar novo fôlego ao setor, mas segue parado, sem aprovação. Entre as mineradoras e especialistas da área, há uma expectativa e ansiedade do que será, de fato, válido com as novas regras", completa.