Vendas de aço desaceleram em junho
A desaceleração da economia nos últimos meses puxou para baixo as vendas de aço no país. Em junho, os pedidos junto à rede de distribuição de aços planos, como chapas para automóveis, estão muito fracos, disseram fontes que atuam nesse mercado.
A distribuição é o principal termômetro do mercado de aços planos no país, pois é responsável pelas entregas de cerca de um terço do volume de 14 milhões de toneladas que são comercializadas internamente por ano. Em 2013, beirou a venda de 4,5 milhões de toneladas.
O desempenho deste mês sofreu o impacto da paralisação de linhas de montagem ou suspensão de turnos nas montadoras de automóveis e caminhões. Por consequência, as autopeças também colocaram o pé no freio da produção. O setor automotivo responde por cerca de 30% das vendas de aço no Brasil e vinha crescendo nos últimos anos com a chegadas de novas montadoras e expansão de fábricas já existentes.
As vendas costumam ser fortes também para as indústrias de bens de linha branca, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar, e de máquinas e equipamentos, além de implementos agrícolas.
Em maio, a previsão das empresas de distribuição era de vender 375 mil toneladas de produtos, entre laminados a quente e a frio, chapas galvanizadas e chapas grossas, de acordo com estimativas passadas ao Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), entidade do setor. Mas esse volume, que representaria 5% de alta em relação ao de abril, pode ter ficado abaixo do previsto, informou o executivo de uma distribuidora.
Os dados finais do Inda sobre o desempenho de maio ainda não foram compilados e só devem ser divulgados depois do dia 20, informou um porta-voz da entidade. No mesmo mês, em 2013, o volume vendido somou 370 mil toneladas de aços planos.
Diante do cenário de paralisação de boa parte das atividades econômicas do país em junho, devido ao evento da Copa do Mundo, a expectativa da rede é que as vendas no mês ficarão inferiores às do mês passado. Pode até ser pior que o número de um ano atrás, quando somou 348 mil toneladas e foi o segundo pior desempenho do ano, só perdendo para dezembro.
Uma das preocupações do setor é não deixar que os estoques de material em seus armazéns superem a marca de 2,5 a 3 meses de vendas. Por isso, o controle é calibrado na hora de fechar compras com Usiminas, CSN, Gerdau e ArcelorMittal Tubarão, siderúrgicas que fabricam aços planos no país. Além disso, há um percentual de importado.
Para maio, estavam previstas encomendas de 390 mil toneladas de produtos, 5% acima do volume de abril. Com isso, os estoques - se as vendas previstas se realizassem - alcançariam 997 mil toneladas, ou 2,7 meses de vendas.
A expectativa no setor é a de que, dificilmente, não fechará este trimestre com venda menor que a do mesmo período do ano passado. Vai sofrer impactos de maio e junho. Nos primeiros quatro meses do ano, o comércio da rede alcançou crescimento de 7,2%, com 1,53 milhões de toneladas.
O consumo aparente de aço plano no país mostrou forte sinal de desaceleração a partir de abril, quando empatou com o mesmo período de 2013. As vendas internas tiveram retração de 1,6% e seu espaço foi preenchido por material importado, cuja entrada cresceu fortemente.
Os aços importados, conforme dados de entrada que são divulgados pelo governo, somaram 578 mil toneladas de janeiro a abril, um aumento de 33% sobre igual período de um ano atrás. Com preços internacionais em baixa, excesso de oferta de aço da China e outros países da Ásia e Leste Europeu, mais o câmbio ainda favorável, a expectativa é de aumento dos desembarques no país.