Exportação é saída para queda das vendas domésticas
Com o enfraquecimento do mercado de aço no Brasil, as siderúrgicas do país estão buscando mais opções de venda no exterior. Segundo os principais executivos da Usiminas e da CSN, a estratégia será reforçada com o objetivo manter o atual nível de produção das companhias. Ontem, durante evento do setor do aço, em São Paulo, eles foram enfáticos ao afirmar que estão tentando compensar queda nas vendas domésticas com exportações.
Na Usiminas, o resultado da iniciativa já será claro nos resultados do terceiro trimestre deste ano. Segundo seu presidente, Julián Eguren, os clientes do Brasil foram os responsáveis por 90% a 91% das vendas da companhia em trimestres anteriores, mas deverão corresponder por apenas 75% no período de julho a setembro deste ano. Dessa forma, as exportações passam de um patamar de 10% anteriormente para cerca de um quarto do total.
Para elevar sua presença no mercado externo, a siderúrgica mineira pode aproveitar oportunidades de sua aliança com a Ternium, afirmou Eguren. Buscará novos contratos com clientes dos Estados Unidos e do Chile, por exemplo, para onde a companhia já exporta, afirmou o executivo durante o congresso do Instituto Aço Brasil (IABr).
Recorrer ao mercado externo tem sido a opção para não parar a produção, afirmou Benjamin Steinbruch, presidente da CSN. O empresário lamentou, porém, que essa estratégia tenha sido prejudicada pela valorização do real, que tira competitividade de produtos brasileiros. Segundo o empresário, a CSN segue utilizando toda sua capacidade de 5 milhões de toneladas por ano.
Em um cenário mais difícil, como o atual, a primeira reação das siderúrgicas é cortar preços, disse Steinbruch. "Esperamos não ter que cortar [preços] porque as margens [de rentabilidade] estão apertadas." A Usiminas também pretende manter seus níveis de preços, segundo Eguren. O executivo afirmou que no segundo semestre a companhia deverá manter os mesmos volumes e níveis de vendas da primeira metade do ano, com os mesmos patamares de preços. "Não trabalhamos com redução. Para nós, haverá uma estabilidade de preço."
André Gerdau Johannpeter, presidente da Gerdau, disse que a difícil situação do mercado local, com instabilidades e incertezas no setor automotivo, por exemplo, certamente vai afetar as companhias de aço nos próximos meses, mas disse ainda ser difícil prever como a empresa será impactada.
A desaceleração da economia brasileira e da demanda dos principais consumidores de aço fazem com que as siderúrgicas enfrentem maiores dificuldades para crescer no país. Entre os agravantes, os executivos enfatizaram os altos custos de produção no mercado brasileiro. Jorge Gerdau, presidente do conselho de administração do grupo Gerdau, destacou o acúmulo de impostos na cadeia de produção do aço no país como um dos principais problemas do setor.
Fora do país, as empresas também terão dificuldade para competir. O cenário externo é de grande excesso de capacidade de produção, estimado de 450 milhões a 600 milhões de toneladas por entidades do setor e consultorias.
"A questão do excesso de capacidade é importante porque tem forte correlação com as margens da indústria", disse durante o evento de ontem Michael Van Hoey, sócio da Mckinsey & Company. Para que as companhias do setor tenham um retorno sustentável de suas operações no longo prazo, a consultoria calcula que seria necessário que tivessem uma margem Ebitda de 17%. No entanto, o excesso de produção faz com que a margem global média esteja próxima dos 10% atualmente, informou. Nas contas da consultoria, o corte de 300 milhões de capacidade de produção no mundo custaria quase US$ 30 bilhões.