Vendas de aço na distribuição estão em queda
Apesar de ainda registrar incremento de 1,9% no acumulado de janeiro a julho na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, as vendas de aços planos na rede de distribuição estão perdendo o ritmo e poderão ficar aquém do esperado em 2 014. O segmento é afetado pela redução na demanda por parte da indústria.
De acordo com balanço divulgado ontem pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos/Instituto Nacional da Distribuição de Aço (Sindisider/Inda), as vendas de aço no mercado interno somaram 2,578 milhões de toneladas de janeiro a julho. No mesmo intervalo do ano passado, o volume comercializado pelas distribuidoras no país somou 2,530 milhões de toneladas.
Somente em julho, as vendas atingiram 360,3 mil toneladas. O resultado representa incremento de 12,2% frente a junho, quando alcançou 321,2 mil toneladas. Porém, na comparação com o mesmo mês de 2013 (386,8 mil toneladas), o resultado recuou 6,9%.
Apesar de ainda registrar resultado positivo, os distribuidores demonstram pessimismo quanto ao desempenho do setor.
Em agosto, as projeções são de manter os resultados verificados em julho, dessa forma, as vendas deverão cair aproximadamente 15% em relação ao mesmo intervalo do ano passado e o acumulado de 2014 passará a ser negativo.
Automotiva O presidente do Inda, Carlos Loureiro, explica que as distribuidoras são afetadas pela perda de ritmo da indústria da transformação verificada no país em 2014, principalmente por parte da cadeia automotiva. O setor é responsável por 35% dos negócios dessas empresas.
Com a menor demanda da indústria, segundo Loureiro, as projeções de crescimento da distribuição de aço foram revistas para baixo, passando de 4% para 1%. Porém, na avaliação de Loureiro, o resultado poderá ficar ainda abaixo de 1% em função do momento ruim do setor industrial.
Apesar disso, de acordo com o presidente da entidade, "provavelmente" os números da rede de distribuição de aço serão analisados novamente em outubro, uma vez que o cenário ainda é nebuloso.
Já as compras realizadas pelas distribuidoras junto às siderúrgicas registraram queda de 7,9% nos primeiros sete meses do ano em relação ao mesmo período de 2013. O resultado atingiu 2,502 milhões de toneladas, ante 2,717 milhões de toneladas.
Em julho, a aquisição de aço por parte dos distribuidores cresceram 23,5%, ante o mês imediatamente anterior, passando de 299 mil toneladas para 370,1 mil toneladas. Já em relação ao mesmo período do exercício passado (413,8 mil toneladas) foi verificada queda de 10,6%.
O volume de aço estocado na rede de distribuição somou 1,072 milhão de toneladas em julho e o giro de venda atingiu três meses. O resultado é 0,9% superior ao verificado no mês imediatamente anterior (1,063 milhão de toneladas).
De acordo com o balanço da entidade, as importações entre janeiro e julho cresceram 44,8%, ante igual intervalo de 2013. Os desembarques de aços planos passaram de 806 mil toneladas para 1,167 milhão de toneladas.
De acordo com Loureiro, até o momento, "nada indica" que ocorrerá uma melhora no segmento de distribuição. A carteira de pedidos das usinas está fraca para setembro, segundo o dirigente.
Além das incertezas, parte da fraca demanda se explica pelo fato de que os clientes estão fazendo pedidos com menos antecedência, pois sabem que as usinas estão ociosas. (AE)