Ministro aponta produtividade como necessidade em 2015
O ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, admitiu ontem que sem investimentos na educação e na infraestrutura brasileira não haverá uma retomada no crescimento. Exemplo disso é a divulgação de um estudo sobre a produtividade do trabalho, haverá um esforço maior para investimentos nestas áreas.
"Só não vamos [governo federal] lançar antes das eleições para não contaminar as discussões", disse o ministro, ao participar de evento do Grupo dos Líderes Empresariais (Lide).
Ao adiantar sobre o que seria esse estudo, no formato de um livro, Borges comentou que será abordada uma agenda para a produtividade. "O problema da produtividade é estrutural e antigo. Evidente que o processo de estabilização monetária com o Plano Real e a grande transformação social a partir de 2003, com redução da desigualdade, contribuíram para diminuição do problema da produtividade. Mas os resultados concretos são de longo prazo", disse para jornalistas.
Ele afirmou que, ao mesmo tempo, há a necessidade de investir na infraestrutura, a que chama de capital físico deficitário, de modo que elevaria essa produtividade do trabalho. "Há problemas de infraestrutura que remontam dos anos 70, quando houve uma grande onda de investimentos em infraestrutura. Houve uma retomada a partir do governo Lula, mas ainda temos um enorme desafio pela frente. Hoje, temos uma modelagem que torna viável em dez anos um processo de eliminação desse gargalo" entende.
Durante sua apresentação para os empresários, o ministro do MDIC afirmou que o que permitiu o recente crescimento econômico brasileiro foi o aumento na força de trabalho. "Mas isso não foi acompanhado de aumento da produtividade", acrescentou.
"Se nós conseguirmos equacionar esses dois grandes problemas - o capital físico e o capital humano - conseguiremos gerar um novo ciclo de expansão econômica nesta década. E a retomada do consumo será induzida a partir desses vetores", concluiu.
Na avaliação do ex-ministro do MDIC - durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, Luiz Fernando Furlan, infraestrutura e educação devem ser prioridades "permanentes". "O Brasil só vai dar o salto se tiver fábrica de gente com capacitação. Mas já há uma transformação nesse setor. O problema que ela é percebida pelo retrovisor. As crianças que estão na escola, os jovens que estão entrando no ensino superior, são agentes desse movimento que já começou. O resultado não é rápido como ocorre na indústria e comércio. Talvez leve um ciclo de 20 anos para que apareçam nossa frente", disse ao DCI, após o término do evento.
Comércio exterior
Borges reconheceu que a economia brasileira passa por um "momento difícil" e que perdeu "o vigor do crescimento econômico" desde a crise internacional de 2008.
Desta forma, além de investir nos capitais físico e humano, ele acredita que trabalhar acordos com parceiros estratégicos e a integração com a América do Sul também são importantes para garantir uma retomada da expansão do Produto Interno Bruto (PIB). "A China é importante, mas a relação com os Estados Unidos é fundamental para o Brasil. Nós precisamos ter um acordo sobre investimentos. Representamos um quarto de todo o investimento daquele país no exterior", exemplificou o ministro.
Ele também citou como estratégia o acordo com a União Europeia (UE), que, segundo Borges, já está pronto. "Temos que esperar o resultado da transição para uma nova comissão econômica para a Europa. Isso deve ser definido até novembro. Possivelmente a partir desse mês teremos como equacionar a consulta aos estados membros da união para a concretização da troca de ofertas entre o Mercosul e UE", disse.
Furlan explicou que o comércio exterior foi deixado um pouco de lado recentemente, por conta do aumento da demanda interna para o setor privado, e pelo cenário internacional em crise, mas que voltou a representar um foco do governo federal.
"No primeiro período do Lula foi dado ênfase do comércio exterior porque foi um período de baixo poder aquisitivo, aumento de desemprego. A avaliação é de que retomada da economia tinha que vir do lado externo [reservas internacional]. No segundo mandato, o presidente orientou para que o foco fosse o mercado interno, crédito, consumo, programas que criassem oportunidades de negócios. Na verdade, as duas coisas tem que andar juntas. Agora se fala de novo no mercado externo, porque o consumo deu uma enjoada", apontou o ex-ministro do MDIC.