Faturamento da indústria de bens de capital no país cresce 3,1% em janeiro
A indústria de máquinas e equipamentos fechou janeiro com faturamento bruto real de R$ 5,557 bilhões, aumento de 3,1% ante janeiro de 2014. Na comparação com dezembro, o faturamento bruto real de janeiro teve alta de 0,1%. Os dados foram divulgados ontem pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
O consumo aparente (produção mais importações menos exportações) de máquinas e equipamentos atingiu R$ 10,557 bilhões em janeiro, elevação de 1,3% ante o mesmo mês do ano anterior. Na comparação com dezembro, houve alta de 23,5%. Segundo a entidade, o reflexo desse forte aumento no consumo sobre dezembro é mérito do crescimento de importados no mercado nacional.
As exportações somaram US$ 785 milhões em janeiro, queda de 30,6% ante igual período de 2014. Na comparação com dezembro, a queda foi de 31,9%. Já as importações totalizaram US$ 2,616 bilhões no mês passado, queda de 12,7% ante janeiro de 2014. Na comparação com dezembro, no entanto, as importações subiram 19,2% em janeiro.
O déficit comercial do setor apresentou uma elevação de 75,8% em janeiro na comparação com dezembro, para US$ 1,831 bilhão. Já em relação a janeiro de 2014, houve uma queda de 2,0%.
Os dados da Abimaq mostram ainda que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor fechou janeiro em 69,8%, um leve crescimento de 0,7% comparado a dezembro (69,31%) e uma queda de 8,4% ante janeiro de 2014, quando a utilização da capacidade instalada era de 76,2%.
No mês passado, o setor somou 243.046 empregados, número 0,3% inferior ao auferido em dezembro. Na comparação com janeiro de 2014, no entanto, houve um recuo de 4,8%. Segundo a Abimaq, neste primeiro mês do ano em relação a 2014 foram fechados 12 289 postos de trabalho no setor.
Agrícolas - O faturamento de máquinas e implementos para a agricultura em janeiro foi de R$ 939,2 milhões, uma alta de 71,8% ante os R$ 546,8 milhões registrados em janeiro de 2014, segundo a (Abimaq).
No mês passado, as exportações de máquinas e equipamentos agrícolas somaram US$ 52,4 milhões, uma queda de 37,4% ante janeiro de 2014. Já as importações somaram US$ 41,8 milhões, redução de 21,3% na comparação com o primeiro mês do ano passado.
De acordo com a Abimaq, houve uma queda de 2,5% no número de empregados no setor ligados à agricultura no primeiro mês do ano O número de trabalhadores do setor somou 61.040 em janeiro ante os 62.606 de janeiro de 2014. Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) ficou em 74,95% em janeiro. No mesmo mês de 2014, o Nuci era de 76,18%.
Previsão é de queda de um dígito em 2015
São Paulo - O diretor de competitividade da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mario Bernardini, afirmou na tarde de ontem ser quase impossível fazer previsões para o desempenho do setor este ano considerando a volatilidade das informações econômicas atuais. "Com esse quadro instável, fica difícil fazer previsões", afirmou.
Segundo Bernardini, a entidade prevê que em 2015 o país entre em recessão, com um PIB negativo de 1% ou 1,5%. "Isso se chover, se não chover o PIB pode cair em torno de 2%", afirmou. "Neste quadro fica difícil esperar um crescimento para o setor."
Lembrando que o setor de máquinas e equipamentos vem de três anos consecutivos de queda no faturamento, Bernardini afirmou que para 2015 o recuo deve ser um pouco menor. "Por conta da base de comparação fraca, esperamos uma queda na cada de um dígito", disse. No ano passado, o faturamento do setor caiu 13,7%.
O executivo disse ainda que o desempenho do setor e a recuperação da economia como um todo vai depender da "qualidade" do ajuste fiscal que está sendo proposto pelo governo. "Se o ajuste for calcado em aumento de impostos, que é uma solução recessiva, isso vai piorar o cenário", afirmou, destacando que a entidade defende um ajuste fiscal "porque as contas precisam ser arrumadas".
"Se passarem um pente fino nas despesas públicas, o Brasil conseguiria reduzir custos na ordem de 2% a 3% sem afetar o funcionamento do país", afirmou. Sem citar nominalmente o atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o executivo alfinetou o mandatário da Fazenda. "Não é preciso ser um PhD formado em Chicago para fazer ajustes aumentando impostos, isso todo mundo sabe fazer", disse. Levy é formado na cidade norte-americana. "Defendemos um ajuste que não seja recessivo", reforçou. (AE)