Um estudo realizado pela Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad), referentes a 2013 e divulgados no final do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que mais da metade dos brasileiros estão conectados à Internet. Entretanto, o uso da tecnologia para promover o bem estar coletivo no Brasil ainda é está em fase embrionária.
A observação foi feita pelo pró-reitor de planejamento e desenvolvimento institucional da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Anilton Salles Garcia, durante a palestra “Cidades Inteligentes e Humanas”, realizada nesta quarta-feira (25) no Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer).
Garcia explicou que atualmente os projetos tecnológicos são desenvolvidos para só depois serem adequados às necessidades das pessoas. Entretanto, ele defende a ideia de que é necessário primeiro descobrir as necessidades pessoais para só então desenvolver projetos que atendam a essas necessidades já existentes.
“O foco não deve ser a tecnologia. A tecnologia tem que ser usada para melhorar a vida das pessoas nas cidades, resolvendo problemas para os cidadãos. Exemplos disso já são reais como programas que mostram no celular o melhor caminho para seguir durante um congestionamento de trânsito, ou o horário em que o ônibus que a pessoa precisa tomar vai passar no ponto onde ela está, ou ainda um chip implantando na pele que envia para o celular de pessoa com diabetes informações sobre quando a taxa de açúcar em seu sangue atingiu um nível perigoso para ela”, comentou.
Garcia contou que no bairro São Benedito, em Vitória, existe um projeto desenvolvido pela Ufes no qual a comunidade está disponibilizando via Internet para o mundo todo o trabalho de habitação sustentável desenvolvido no local. “Algo que está sendo realizado aqui em nossa cidade pode ser visto por outras pessoas no mundo como um exemplo a ser seguido. Essa é a essência de como a tecnologia deve ser utilizada”, observou.
Para Garcia, no Brasil, exemplos começam a surgir para que as pessoas se beneficiem com o uso da tecnologia. Entretanto, em sua visão, para mudar essa característica de fase embrionária em que essas iniciativas são realizadas é necessário que existam políticas de governo e articulação de diversas esferas da sociedade civil organizada.
“As pessoas tem que se envolver, pois é através das necessidades delas que a tecnologia deve ser desenvolvida”, afirmou.
Para o empresário Hugo Júnior, proprietário de uma empresa da área da tecnologia, as formas de como a tecnologia pode ser usada pelas pessoas atualmente proporcionam conforto e facilitam a vida. Entretanto, para ele a baixa qualidade de sinal da Internet no Brasil ainda é um problema que deixa o País em uma situação de atraso tecnológico.
“Em países que o acesso à Internet é livre e de boa qualidade, as informações que facilitam a vida das pessoas são de acesso rápido e fácil. Apesar de aqui em Vitória existirem bairros e lugares com Internet livre, o sinal ainda é muito ruim. Apesar de já ser um primeiro passo, ainda estamos caminhando muito devagar”, avaliou.
Para Júnior ainda existe o lado ruim do acesso às tecnologias como, por exemplo, o uso indevido de programas de celular que mostram locais de blitz. “As pessoas não pensam que passando esse tipo de informação estão fazendo um desserviço para elas mesmas. Alguém alcoolizado e que poderá causar um acidente com vítimas fatais ou marginais que estão cometendo crimes se beneficiam com essas informações. É preciso maturidade e discernimento para o uso da tecnologia”, analisou.
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