O Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTec), criado em 2005, funciona como um condomínio que abriga empresas de tecnologia e centros privados de pesquisa e desenvolvimento. Seu edifício institucional, que acomoda a administração do Parque e empresas residentes, foi planejado pelo escritório Arquitetos Associados em estrutura híbrida de aço e concreto de forma que a solução empregada facilitasse a expansão do conjunto ao longo dos anos.
Na época, a equipe do escritório foi responsável pela elaboração dos planos diretor e de parcelamento do solo, bem como pelo projeto do edifício institucional, após conquistar o concurso realizado. “O plano diretor exigia que privilegiássemos metodologias de construção a seco, que a execução dos edifícios fosse feita em etapas e que os espaços públicos fossem abertos e integrados à paisagem natural e edificada”, recorda Bruno Santa Cecília, um dos quatro titulares do escritório responsável pelo projeto.
Os critérios básicos se estendiam, ainda, à escolha de soluções que permitissem múltiplas possibilidades de ocupação do edifício nos anos seguintes e ao uso de sistemas e materiais construtivos modernos – exigências que favoreceram a escolha do aço para a estrutura e para o fechamento dos pavimentos. “O uso do aço também foi motivado por sabermos da dificuldade de manutenção nos edifícios públicos. Com as vedações metálicas, a pintura não precisaria ser renovada anualmente”, completa Santa Cecília, lembrando que as peças em aço receberam apenas pintura intumescente para a proteção contra o fogo.
Conforme explica o arquiteto, o terreno irregular levou à necessidade de executar um embasamento de concreto na estrutura do edifício. O objetivo era que o mesmo acomodasse as variações da edificação e recebesse, posteriormente, uma construção leve, pré-fabricada e flexível, com estrutura e fechamentos em aço.
O edifício tem cinco pavimentos do nível da rua para baixo. A estrutura em aço, por sua vez, começa a partir do nível térreo, se elevando por mais quatro pavimentos. “A estrutura metálica tem início sobre os pilotis e é constituída por pilares e vigas de aço montadas e parafusadas, e não soldadas in loco, conforme o previsto no primeiro projeto estrutural”, explica o engenheiro civil Eduardo Roscoe, assessor da diretoria do BHTec. A interação entre aço e o concreto, no nível dos pilotis, foi projetada para eliminar os momentos fletores, com o engastamento dos perfis de aço diretamente no concreto. As lajes são alveolares, de concreto pretendido.
Ocupação facilitada
Os pavimentos situados acima do nível da rua são destinados à ocupação por empresas de tecnologia da informação, além de laboratórios de biotecnologia. “Um dos desafios era encontrar uma solução que permitisse a implantação de eventuais equipamentos e sistemas específicos, como filtros de ar, por exemplo. Por isso, optamos por utilizar a própria fachada, que está recuada em relação à estrutura, como shaft. Dessa forma, permitimos que as empresas possam usá-la como um plano vertical de base para receber qualquer tipo de infraestrutura demandada”, explica Santa Cecília.
Nas duas faces do edifício, formam-se dois balanços com 9 m cada um. “Pilares com dois tirantes opostos, em 45°, se estendem por dois andares e fazem o suporte e contraventamento dos balanços”, acrescenta o engenheiro Roscoe.
Dois blocos de elevadores e banheiros, com fechamentos em painéis de aço de alta resistência à corrosão, servem o corpo principal do prédio, que abriga uma área social e outra de serviço. No bloco social, três faces têm fechamento com estes painéis e outra é vedada em vidro. São também em aço de maior resistência à corrosão as faces leste e oeste, sem janelas, no corpo principal do edifício.
De acordo com Roscoe, atualmente está prevista a execução de uma torre com mais de 20 pavimentos, ao lado do edifício, além de outro conjunto de prédios planejados para abrigar mais empresas de tecnologia
O BHTec é uma iniciativa conjunta da Prefeitura de Belo Horizonte, do Governo de Minas Gerais, da Universidade Federal de Minas Gerais, do Sebrae-MG (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais) e da FIEMG (Federação das Indústrias de Minas Gerais).
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