A indústria de máquinas e equipamentos para a construção civil aposta no pacote de concessões, que será lançado hoje pela presidenta Dilma Rousseff, para tentar reverter o mau desempenho no ano de 2015, que já se coloca como o pior desde a crise de 2009. Segundo sondagem da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), as vendas do setor este ano devem cair entre 36%, no caso da linha amarela (escavadeiras, carregadeiras, etc) e 46%, no caso de guindastes. O emprego nos revendedores deve recuar em 27%.
"Estamos voltando para o mesmo nível de vendas registrado em 2009, que foi um ano bem ruim", diz Mario Humberto Marques, vice-presidente da Sobra tema. "Até agora, o mercado está paralisado. Não houve ação do governo no sentido de iniciar novas obras e as obras que estavam em curso sofrem com contingenciamento de recursos e com os problemas decorrentes da Lava Jato", comenta o executivo.
As perspectivas de queda nas vendas são resultado de uma pesquisa com parte dos cerca de 1,5 mil associados à entidade. No caso da linha amarela, foram ouvidas empresas responsáveis por 40% do mercado. No segmento de guindastes, 14%. O setor se reúne hoje e amanhã na feira M&T Expo, em São Paulo, para discutir o cenário e buscar contratos.
A crise tem levado algumas companhias a buscar alternativas fora do país. É o caso da Schwing Statter, fabricante de equipamentos para fabricação, distribuição e transporte de concreto. A filial brasileira retomou, em abril, a gestão dos contratos sul-americanos, que havia sido repassada à filial americana na crise de 2009. "Naquele momento, a filial dos Estados Unidos pediu falência e precisava de contratos para sobreviver. Agora, com a melhora da economica lá e a crise aqui,nós é que precisamos dos contratos", conta Luis Polachini, gerente comercial de equipamentos da companhia.
Assim, o fornecimento a nove países no continente volta a ser feito com a produção da empresa em Mairiporã, no interior de São Paulo, ocupando parte da capacidade que ficou ociosa com a redução das encomendas no Brasil. Pola-chini diz que a Schwing Stetter já sentiu uma queda de 50% no faturamento no país. "Nossa expectativa é o pacote de infraestrutura. Com ele, acho que o mercado pode voltar ao nível normal pelo fim de 2016", comenta.
"Estamos otimistas, quando olhamos para a frente. As ações do governo estão indo no caminho certo", diz Marques, da So-bratema, que vê uma postura mais propícia à atração do investimento privado, com o fim do controle de tarifas e menor ingerência sobre o "modelo de negócios das empresas". "As ações do governo vão permitir que o investidor se sinta mais seguro para fazer seus investimentos", completa. O financiamento a grandes projetos e a gestão das agências reguladoras, porém, ainda são vistos como desafios.
A Schwing Stette já sente uma queda de 50% no faturamento. A expectativa da empresa é de que, com o pacote de infraestrutura, o mercado volte ao normal no fim de 2016.