A cultura brasileira da construção civil privilegia estruturas erguidas em concreto armado, porém, as estruturas em aço têm potencial para crescerem e se tornarem opções mais sustentáveis e ágeis. Os fabricantes investem em inovação de produtos, processos, aperfeiçoamento da qualidade e do desempenho, o que gera aumento da produtividade. Hoje, as construções em aço representam 14% do universo do setor de edificações no Brasil. A indústria trabalha para aumentar essa participação.
Na Inglaterra, o uso de estruturas metálicas na construção civil chega a 66,8% de participação. Nos Estados Unidos, 58%. “Esses países possuem experiência na utilização desse sistema, necessidade de execução rápida das obras para reduzir os custos fixos e a cultura de planejar, o que é fundamental para a construção em aço. A mão de obra é capacitada e especializada e o uso da construção em aço já está institucionalizado”, explica a gerente-executiva do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), Carolina Fonseca.
O CBCA aponta a ausência de uma cultura de edificações em aço como desafio a ser superado. Para Carolina Fonseca, estruturas metálicas são vistas como algo inovador, o que vai contra o conservadorismo ainda vigente em boa parte das construtoras. “Na academia ainda é tímida a abordagem sobre o tema. Há pouco suporte na grade curricular das universidades de engenharia e arquitetura. Formamos poucos profissionais que se interessam e o conhecimento acaba sendo restrito”, afirma.
Outro motivo, segundo a gerente do CBCA, reside no custo. Por se tratar de um sistema industrializado, os impostos e tributos se sobrepõem às opções tradicionais. “Isso acaba dando a impressão de que a construção em aço é mais cara, quando, na verdade, se olharmos o empreendimento como um todo, ela pode ser vantajosa por imprimir mais rapidez à execução de um projeto e demandar menos mão de obra in loco”, assegura.
Vantagens
A arquiteta e urbanista Nara Iwata, professora do curso de arquitetura da Universidade Veiga de Almeida (RJ), diz que a diferença de custo envolve também economia nas fundações, “porque a estrutura fica mais leve”, e nos revestimentos, “porque a construção fica nivelada e no prumo”, diferente do que ocorre em estruturas de concreto.
O gerente de Obras da construtora Camargo Côrrea, Marcos Antônio da Silva, é outro profissional que defende o sistema, apontando inclusive vantagens ambientais obtidas com o uso do aço.
“É uma obra mais limpa, com uso minimizado de madeira para formas, menor geração de entulho na execução e inúmeras possibilidades de reaproveitamento e reciclagem dos materiais e resíduos”, ressalta.
Para a arquiteta Renata Semin, sócia do escritório Piratininga Arquitetos Associados, o caráter da montagem, rigorosamente controlado, torna mais ágil a etapa de execução estrutural da edificação. “A organização e layout do canteiro de obras também podem ser afetados positivamente. O planejamento no fornecimento das peças metálicas e na montagem da estrutura diminuem os espaços necessários para a estocagem de material”, comenta.
A precisão das peças e da montagem da estrutura, para Semin, possibilita planejamento assertivo nas compras antecipadas dos demais materiais da construção e diminuição drástica do desperdício. “Além disso, se pode incluir a madeira para formas ouescoramentos, se compararmos com a construção em concreto armado moldado in loco”, complementa.
Participação
Um dos focos do CBCA é contribuir para o aumento do uso do aço na construção. A entidade busca mapear o setor por meio de pesquisas e nos últimos três estudos, feitos em 2011, 2012 e 2013, foi constatado que as composições de grande porte, utilizadas na construção de shoppings, galpões, edifícios, empreendimentos industriais e em obras especiais, foram responsáveis por 79,3% da produção total de estruturas de aço no país, de acordo com dados de 2013. “As estruturas pequenas, como escadas, abrigos e marquises, também apresentaram um aumento expressivo na participação no mercado, passando de 4,7%, em 2011, e 4,3% em 2012, para 9,2% em 2013”, expõe Carolina Fonseca.
Segundo o CBCA, entre 2013 e 2014, o setor empregou, em média, 31 mil trabalhadores e faturou cerca de R$ 9,1 bilhões por ano. A projeção de avanço para 2014 girava em torno dos 5%, porém os números do ano passado ainda não foram consolidados.
“Esperamos que essas informações qualificadas possam promover o melhor conhecimento da atuação da fabricação de estruturas de aço no Brasil, dimensionar a importância na cadeia produtiva e no cenário econômico nacional, e, principalmente, auxiliar nas estratégias e ações para o desenvolvimento sustentável do setor”, afirma a gerente do CBCA.
Popularização
O CBCA investe na divulgação e no desenvolvimento tecnológico do setor. Carolina Fonseca ressalta que a entidade aposta na qualificação dos profissionais - tantos os formados quanto os do futuro - de engenharia civil e arquitetura como forma de capacitá-los para que tenham segurança em adotar o aço nos projetos. Cursos, palestras, criação de manuais e até revistas contribuem para a consolidação do sistema no país.
“A entidade apoia ainda o processo de normalização da construção em aço, participando de grupos de estudos para criação de textos base para novas normas e da revisão de normas existentes. Hoje, estão sendo trabalhados textos sobre pontes de aço, Steel Deck, Light Steel Framing, telhas e painéis termo acústicos, entre outros”, completa Carolina Fonseca.
Reportagem: Marcio Antunes
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