À medida que são divulgados dados da economia nacional e internacional, principalmente com relação à China e estados Unidos, o pessimismo do mercado com o Produto Interno Bruto (PIB) também aumenta para 2016.
Ontem, o relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC), mostrou que as instituições financeiras passaram a acreditar em queda da economia não só neste ano, mas também no próximo.
Na semana passada, a expectativa do mercado era estabilidade para o PIB. Agora, a projeção é que haja queda de 0,15% no PIB, em 2016. Para este ano, a projeção passou de 1,97% para 2,01%.
Na avaliação do mercado financeiro, a produção industrial deve apresentar retração de 5%, este ano, contra 5,21% previstos na semana passada. Em 2016, há expectativa de recuperação do setor, com crescimento de 1%, ante a previsão anterior de 1,15%.
Para Celina Ramalho, economista e membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), essa piora das expectativas também para o ano que vem já era previsto ocorrer no médio prazo, ao perceberem a real situação econômica brasileira.
"O que aconteceu agora é mais uma questão de pessimismo do empresariado, olhando para a contração da economia mundial, de uma forma geral. Na essência, a situação da China e dos Estados Unidos acabam influenciando. Um fortíssimo efeito é a diminuição do quantitativismo dos EUA, e isso atrai um efeito de médio prazo na desvalorização do real. Dessa forma, quando importamos, o preço do real fica mais caro e, uma vez as compras externas estando mais caras, nós vemos o que está acontecendo agora, com a inflação nos dois dígitos e o PIB negativo", analisa.
Celina comenta que além dessa questão externa, mas ainda como um reflexo de um período longo de desvalorização do real e de um período longo de como isso refletiu na inflação, a economia tem outro componente negativo, que são os reajustes previstos nos preços combustíveis e na energia, "que estavam represados por questões políticas no passado e que, quando foram corrigidos, eles também impactaram na inflação".
De fato, o encolhimento da economia vem acompanhado de inflação acima da meta (4,5%, com limite superior de 6,5%). Mas, pela primeira vez depois de 17 semanas seguidas, a projeção do mercado, segundo o Focus parou de subir. A estimativa das instituições financeiras para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), este ano, foi mantida em 9,32%. Mas, para o próximo ano, a projeção passou de 5,43% para 5,44%.
Juros
Por outro lado, o mercado financeiro continua a prever que a primeira queda da taxa básica de juros, a Selic, no ano que vem será em abril. Atualmente, em 14,25% ao ano, a Selic deve continuar neste patamar até o começo do quarto mês do ano que vem, segundo os economistas.
Eles revisaram, contudo, o prognóstico de queda no mês, de 0,25 ponto percentual para 0,50 ponto. A taxa, portanto, que era esperada para 14,00% ao ano na ocasião, agora está prevista em 13,75% ao ano.
Pela mesma abertura do boletim Focus para a trajetória dos juros básicos, nota-se que passou a haver uma divisão entre os especialistas sobre a ação seguinte do Comitê de Política Monetária (Copom). Para a reunião de junho de 2016, no lugar da mediana de 13,50% ao ano, existe agora uma taxa de 13,31%, o que demonstra uma falta de consenso entre uma taxa de 13,50% ou de 13,25%.
Para julho de 2016, a mediana de 13,00% foi substituída pela de 12,94% e, para setembro, permaneceu a projeção de 12,50%, assim como para outubro, em que o ponto central da pesquisa permaneceu em 12,00% ao ano. Para novembro, no entanto, os analistas revisaram suas planilhas e, no lugar de uma Selic em 12%, agora veem uma taxa de 11,88%.
Além disso, a área que traz os melhores resultados da economia brasileira nos últimos tempos, o setor externo, continuou a revelar melhora também no relatório Focus.
A mediana das previsões para a balança comercial de 2015 passou de um saldo positivo de US$ 7,70 bilhões para US$ 8 bilhões de uma semana para outra. Para 2016, o superávit comercial mostrou um ligeiro avanço, de US$ 15 bilhões para US$ 15,19 bilhões de uma semana para outra.
"Somente pelo lado real da economia, pelo lado produtivo, e não pelo lado monetário, conseguiremos a retomada. O lado monetário já fez tudo o que poderia fazer em relação aos juros e ao capital ficar mais caro. Esses efeitos já não fazem mais diferença para melhorar a perspectiva de 2016", aponta a conselheira do Cofecon.