Produção industrial mineira diminui 7,5%
A produção industrial mineira registrou queda de 7,5% no acumulado entre janeiro e novembro de 2015 frente ao mesmo intervalo de 2014. Com o
resultado negativo, o setor aprofundou o encolhimento já vivenciado nos últimos anos. Na prática, o segmento está 20,3% menor do que em 2008, momento em que a crise econômica internacional quebrou um ciclo virtuoso de altas seguidas. Caso fosse mantida, a média de expansão alcançada entre 2001 e 2008, hoje a indústria do Estado estaria 43,2% acima do nível
que se encontra.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento acumulado entre 2001 e 2008 em Minas Gerais foi de 31,1%. No Brasil, a alta foi um pouco menor, de 28,2%. Dessa forma, se não tivesse ocorrido uma inversão dos resultados, o País estaria atualmente com uma produção industrial 39,5% acima do que apresenta no momento. Na prática, isso significa um encolhimento do setor industrial.
“Fazendo uma análise do comportamento de cada ano após 2008, chegamos à conclusão de que não é possível responsabilizar somente a crise pela atual situação da indústria. Existem muitos fatores que, somados, fizeram o setor piorar o desempenho”, explica o analista do IBGE Minas, Antônio Braz.
De fato, em 2010, a indústria já havia esboçado uma recuperação frente à recessão mundial. Houve um crescimento da produção industrial no País de 10,2% e em Minas Gerais, de 14,8% naquele ano. A melhora foi reflexo de uma série de medidas tomadas pelo governo federal para estimular o consumo, via desoneração.
Dentre esses fatores que emperram o desenvolvimento do setor estão, na visão do analista, a baixa produtividade das indústrias, a má qualificação dos trabalhadores, a falta de uma efetividade na gerência da produção, as deficiências da infraestrutura no País e o “custo Brasil”. Todos esses problemas reduzem a capacidade de competição das empresas locais.
Retrocesso O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Junior, atribui o mau desempenho do setor à falta de uma política industrial consistente no País. “Falta uma valorização do setor. Enquanto isso não ocorre, o que estamos assistindo é uma perda de espaço, de trabalhadores e de tecnologia no segmento industrial”, afirma.
Machado Junior ressalta que a queda na produção veio acompanhada de demissões em massa e fechamento de empresas de todos os portes no Estado. “E se a indústria está perdendo, o Estado perde também. Não tenha dúvida de que quem gera riqueza e empregos qualificados é o setor industrial”, ressalta o presidente da Fiemg.
Neste cenário de retração econômica, os que mais têm sofrido são as empresas de menor porte. “Claro que a empresa maior tem mais acesso ao crédito e acaba tendo mais chances de vencer períodos de crise”, pondera o dirigente. Inclusive, uma das saídas para a indústria, na visão do representante do setor, passa pelo estímulo ao empreendedorismo. Ou seja, dar condições para que os pequenos negócios prosperem, trazendo divisas e empregos para o Estado. Ele acredita também que o fim da crise política que se instalou no País é fundamental para que haja um retorno dos investimentos e, consequentemente, um estímulo ao setor produtivo no País.