Estoque industrial recua em janeiro
Uma aparente normalização dos estoques da indústria, aliada à percepção de estabilização do nível de demanda, diminuiu o pessimismo do industrial neste começo de ano, aponta sondagem divulgada na sexta-feira (22) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Na prévia de janeiro, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 3,7 pontos em relação ao número final de dezembro, ao passar de 75,4 para 79,1 pontos.
O superintendente adjunto para Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo Jr., avalia que a alta mais expressiva do indicador decorre principalmente de avanços no processo de normalização de estoques do setor. Isso, "associado à percepção de estabilização do nível de demanda, tem levado à diminuição do pessimismo. O conjunto de informações sinaliza uma atenuação das taxas de queda da produção da indústria nos próximos meses", afirmou ele, em nota.
De acordo com a FGV, a expansão do ICI de janeiro, em sua versão preliminar, foi determinada tanto pela melhora da situação atual quanto pelas expectativas em relação aos meses seguintes: o Índice da Situação Atual (ISA) aumentaria 4,7 pontos, atingindo 79,7 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) avançaria 2,5 pontos, para 78,8 pontos.
Balanço anual
Apesar da melhora da percepção do industrial neste começo de ano, a sinalização ainda não confere motivos para comemoração. Um levantamento divulgado também na última sexta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que os estoques só diminuíram entre janeiro e dezembro de 2015 por conta da contração da atividade.
Conforme a CNI, a produção recuou em dezembro, movimento normal no período, refletindo o fim de encomendas para o final de ano. Contudo, a queda da produção, mês passado, foi mais intensa que a observada em anos anteriores. Como resultado, a utilização média da capacidade instalada (UCI) recuou para 62% em dezembro, ante 68% de um ano antes e 66% de novembro.
O índice de estoques efetivo-planejado também recuou de 51,4 pontos para 49,8 pontos, praticamente sobre a linha divisória. O índice varia de 0 a 100 pontos, onde 50 pontos significa nível de estoques igual ao planejado.
A CNI consultou 2.225 empresas brasileiras.