A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) pela indústria caiu para 75,9% em janeiro deste ano. Esse é o pior patamar registrado desde o início da série história em 2002.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o nível de UCI caiu 1,1 ponto percentual (p.p.) na passagem de dezembro para janeiro. Na comparação com o início do ano passado, a queda na UCI é de 5,2 p.p.
O gerente executivo de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, lembrou que a ociosidade em alta inibe investimentos, com os industriais não vendo necessidade de ampliar o parque fabril instalado no País.
"O primeiro movimento na recuperação [do setor] será reduzir os estoques, depois voltar a produzir em ritmo normal e, em um terceiro momento, quando aumentar a produção, começam a ocorrer novos investimentos", citou ele, em nota divulgada ontem pela entidade.
Embora o faturamento real (1,0%) e as horas trabalhadas na produção (2,9%) tenham apresentado leve alta na passagem de dezembro para janeiro, todos os indicadores da CNI mostram recuo na comparação com janeiro de 2015.
O emprego (-9,6%), a massa salarial real (-10,3%), o rendimento médio real (-0,8%), o faturamento real (-13,9%) e as horas trabalhadas na produção (-11,6%) apresentaram queda.
Para o gerente executivo da CNI, o avanço de apenas dois indicadores em janeiro também não sinaliza uma possível retomada da atividade nas fábricas, já que a confiança dos empresários permanece baixa.
"Os indicadores de confiança pararam de cair, isso de certo modo significaria que é possível estarmos próximos do fundo do poço, mas se esse poço está bem fundo, para voltar a ter um nível de atividade mais próximo da normalidade é preciso reorganizar a economia e, principalmente, equilibrar as contas públicas", afirmou Castelo Branco.
Tendência
Na avaliação da economista da Markit, Pollyanna De Lima, os problemas econômicos do País continuaram a impactar o setor industrial, puxando para baixo a produção em fevereiro.
"Analisando as expectativas para o futuro, as restrições fiscais estão propensas a piorar e o PIB [Produto Interno Bruto] deve cair novamente em 2016. Em 19 de janeiro, o governo anunciou um corte no orçamento de R$ 23,4 bilhões para o ano como parte de tentativas para melhorar as finanças públicas. É também pouco provável que a política monetária altere as perspectivas de negócios, já que o Banco Central continua limitado pela inflação alta", destacou ela.
Dados do Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês), elaborado pela Markit e o HSBC, sinalizam que a ociosidade nas indústrias continuou alta em fevereiro. O indicador antecedente de pedidos para a indústria mostrou a "décima terceira deterioração mensal consecutiva ao atingir um recorde de três meses de baixa de 44,5 em fevereiro e 47,4 em janeiro", informou a Markit.
"Os dados de fevereiro destacaram a persistente capacidade ociosa no setor industrial do Brasil como um todo, com os níveis de negócios inacabados diminuindo pelo quinto mês consecutivo. Embora moderado no geral, o ritmo de diminuição de pedidos em atraso foi o mais acentuado desde outubro de 2013."
O PMI mostrou ainda alta pelo terceiro mês consecutivo nas encomendas destinadas a outros países. O volume de negócios, entretanto, avançou em ritmo modesto.