Brasil fechou 104,5 mil vagas no mês passado
Em meio à crise econômica, o Brasil terminou fevereiro com 104,5 mil postos de empregos formais a menos. Foi o maior fechamento de vagas para o mês em 25 anos, quando começou a série histórica do Ministério do Trabalho. Apenas no primeiro bimestre de 2016, o País já encerrou 204,9 mil vagas, segundo a série ajustada que inclui informações de contratações e demissões passadas pelas empresas fora do prazo. Ou seja, o número do bimestre contempla um ajuste nos dados de janeiro.
O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro veio pior que o esperado pelo mercado e mostra que a crise está forte, inclusive em setores nos quais ela demorou a aparecer, como comércio e serviços.
“As pessoas, que estão mais receosas, não compram, os empresários não vendem, os investimentos são postergados e não há contratações”, disse o economista da RC Consultores, Thiago Biscuola.
O economista Luiz Fernando Castelli, da GO Associados, avaliou que o mercado de trabalho tende a demorar um pouco para reagir ao comportamento da economia e disse que, como a atividade não para de cair, o desemprego tem se aprofundado no País. “E a tendência é de que o aumento do desemprego se acentue neste primeiro semestre, com uma estabilização da situação no segundo semestre”, afirmou. Ele estima que 2016 terá um corte de 1,5 milhão de postos de trabalho, praticamente o mesmo resultado de 2015.
Castelli afirmou que os setores de serviços e comércio sentem mais os efeitos da crise econômica, principalmente em razão da queda do consumo das famílias.
O comércio foi justamente o maior responsável pelo alto número de postos fechados em fevereiro: 55,5 mil vagas. É comum que o comércio feche mais postos do que abra neste mês por conta das dispensas que ocorrem com o final das festas de final de ano, mas este também foi o pior resultado da história do setor desde 1992.
A construção civil, importante termômetro da atividade econômica, continua demitindo mais do que contratando pelo 17º mês consecutivo. Em fevereiro, a construção civil encerrou 17,1 mil postos de trabalho com carteira assinada.
A indústria de transformação fechou 26,1 mil postos em fevereiro. Dentro do setor, todos os segmentos fecharam vagas, mas o movimento negativo foi liderado pela produção de alimentos e bebidas, que encerrou 12,4 mil vagas em janeiro. No acumulado do ano, a construção civil já fechou 18,7 mil postos.
Serviços - Outro setor onde predominaram as demissões foi o de serviços, com retração de 9,2 mil vagas no mês. No acumulado do ano, o setor já conta com 27 mil postos fechados. Em fevereiro, os serviços de ensino e de serviços médicos e odontológicos foram os únicos a contratar, criando 32.072 e 1.136 respectivamente. As instituições financeiras encerraram 989 vagas.
Quase todos os setores demitiram mais do que contrataram em fevereiro. A exceção ficou com a administração pública, que contratou 8,5 mil pessoas a mais do que demitiu. No acumulado do ano, o setor está positivo com a criação de 8 mil vagas na série ajustada. A agricultura é um dos poucos setores a apresentar resultado positivo no primeiro bimestre.
Segundo o Caged, a agricultura abriu 4,8 mil vagas de trabalho. Como a maioria dos setores, a agricultura apresentou resultado negativo em fevereiro, fechando 3,6 mil postos.