Depois de apresentar uma queda de 4,9% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 frente a 2014, Minas Gerais já começou o ano com indicações de que deverá seguir com a economia em retração. O Índice de Atividade Econômica Regional de Minas Gerais (IBCRMG), que funciona como uma prévia do PIB, apresentou desempenho negativo em 8,3%, em
janeiro em relação ao mesmo mês do exercício anterior. É o pior resultado em 12 anos para essa base de comparação.
O indicador, medido pelo Banco Central (BC), mostrou ainda que, na comparação com dezembro, a retração mineira foi de 1%. Em 12 meses, o Estado teve uma redução de 4,1% no ritmo de atividade. Se comparado com janeiro de 2010, período em que o País vivia os reflexos da crise econômica mundial, o desempenho mineiro está bem pior agora. Na época, o resultado
do Estado frente a janeiro de 2009 apresentou elevação de 9,3%. Em 12 meses, a variação foi negativa em 0,6% e frente a dezembro, houve uma elevação de 1,1%.
Para especialistas, esses resultados confirmam as projeções de um cenário nebuloso em 2016. Na opinião do diretor de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Storfer, a tendência é que o PIB mineiro apresente uma queda da ordem de 4% neste ano. “Levando em conta que a queda virá depois de um resultado ruim, isso significa que a economia mineira está de fato encolhendo”, afirma.
E não só a mineira. O Índice de Atividade Econômica nacional (IBCBR) de janeiro apresentou retração de 0,61% ante dezembro. Na comparação do mês com o mesmo período de 2015, o Brasil apresentou uma retração de 8,12%, resultado quase idêntico ao apresentado em Minas Gerais. “Minas é uma espécie de retrato do país pela sua composição econômica. É fato que quando a economia nacional vai mal, o Estado sente da mesma forma”, afirma.
São vários os fatores que justificam o mau momento tanto no Estado quanto no País. “Dois terços da tendência de queda é explicada por fatores de natureza política. As investigações têm dificultado a operação de grandes empresas e bloqueado uma série de cadeias produtivas. O resultado é um agravamento da situação econômica”, afirma o vicepresidente do Conselho
Regional de Economia de Minas Gerais (CoreconMG), Pedro Paulo Pettersen. O economista ressalta que não defende uma anulação do processo de investigação, mas menos publicidade sobre as descobertas para o mercado siga seu rumo sem interferências políticas.
No caso de Minas Gerais, os resultados negativos apresentados pelas empresas de mineração, siderurgia e do setor automotivo agravam a situação. Como o impacto desses setores sobre a economia regional é mais intenso, o Estado acaba sofrendo mais do que a média nacional.
Storfer acredita que a suspensão das atividades da Samarco, em Mariana, região Central, deverá levar a uma retração ainda maior no PIB mineiro neste ano. Isso porque em apenas dois meses de 2015, uma vez que o acidente na barragem de rejeitos aconteceu em novembro, a empresa impactou sobre a economia do Estado em 0,2 ponto percentual negativo em 2015. Isso significa que, se não houvesse ocorrido a tragédia, a queda do PIB de Minas Gerais teria sido de 4,7% e não 4,9%.
Setores A projeção de queda é endossada quando avaliado cada setor individualmente. A indústria, que já amargou queda de 9,1% no PIB em 2015, deverá apresentar outra retração neste ano. As projeções da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) são de
fechar 2016 com uma queda de 2,74% na produção industrial no Estado.
Da mesma forma, os setores de comércio e serviços deverão seguir a curva negativa. No exercício passado, o PIB desses setores caiu 7,9% no Estado. Para este ano, segundo o economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (FecomércioMG), Guilherme Almeida, o varejo ampliado, que inclui materiais de construção e o
setor automotivo, deve retrair quase 6% ante a 2015. “A crise política é um fator comum a todos os setores. Mas fazendo um recorte sobre comércio e serviços temos outros fatores de impacto como o desemprego”, afirma. (Mais sobre PIB na página 14).