O consumo aparente de aço no Brasil, que inclui produtos nacionais e importados, deve recuar de 10% a 12% este ano, conforme estimativa da ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo. Anteriormente, a companhia projetava queda de entre 6% e 7%.
"O consumo aparente de aço deverá diminuir ainda mais em 2016, visto que a economia brasileira continua em recessão", destacou a administração da companhia em relatório de resultados na última sexta-feira.
A ArcelorMittal atua em cinco estados brasileiros, nas áreas de aços planos e longos, vergalhões, tubos, perfilados, distribuições e soluções de aço.
No primeiro trimestre deste ano, operação brasileira da siderúrgica registrou Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 145 milhões, quase três vezes menos ante igual período de 2015.
A produção local de aço bruto caiu 7,2% em relação ao primeiro trimestre de 2015, a 2,667 milhões de toneladas. Em relação ao último trimestre do ano passado, a produção de aço bruto da empresa no Brasil caiu 6,4%.
As vendas da companhia no mercado brasileiro somaram US$ 1,255 bilhão entre janeiro e março, queda de 41% sobre um ano antes. Na comparação com o quarto trimestre de 2015, as vendas brasileiras recuaram 40%, devido aos preços menores (em média, 16,1% menor).
As exportações brasileiras da ArcelorMittal recuaram 8,68% nos três primeiros meses ante igual intervalo do ano passado, para 2,472 milhões de toneladas. Sobre o quarto trimestre de 2015 houve uma queda de 14%, principalmente devido a uma diminuição de 17,3% nos embarques de aço plano e 7% de redução nos exportações de aços longos devido à fraca demanda, informou a empresa.
Ao redor do mundo a companhia registrou vendas totais de US$ 13,4 bilhões no primeiro trimestre de 2016, o que representa uma retração de 21,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o relatório trimestral a baixa se deve, principalmente , aos preços médios de venda menores em aço (-22,1%) e em minério de ferro (-22,7%). Os embarques globais de minério de ferro da companhia também recuaram em torno de 17% no último ano.
Global
A ArcelorMittal demonstrou, entretanto, estar um pouco mais otimista sobre o mercado de aço global, graças a uma modesta melhora nas perspectivas para a demanda na China, embora tenha mantido inalterada sua previsão de resultados para 2016.
As siderúrgicas ao redor do mundo têm sido impactadas pela queda dos preços devido ao excesso de capacidade e à desaceleração do crescimento econômico na China, maior consumidor e produtor de aço.
De acordo com a estimativa da siderúrgica, o consumo aparente global de aço, que inclui mudanças em estoques, deve ficar estável ou apresentar alta de 0,5% neste ano em relação a 2015.
Para a China, um dos maiores mercados para as produtoras de commodities metálicas, a empresa elevou a previsão para entre estável e queda de 1%, ante baixa anterior de 0,5% a 1,5%.
O presidente executivo da companhia, Lakshmi Mittal, disse que as mesmas condições operacionais duras do segundo semestre de 2015 continuaram no primeiro trimestre.