Enquanto o indicador IFO/FGV de Clima Econômico da América Latina (ICE) subiu para 74 pontos no mês passado, a avaliação brasileira seguiu abaixo da média da região, em 55 pontos.
Entretanto, o ICE do País cresceu na comparação com o resultado de janeiro deste ano (47 pontos), atingindo o melhor patamar desde o primeiro mês de 2015 (57 pontos). A alta foi causada pela melhora no indicador de expectativas, que subiu de 74 pontos para 90 pontos. Por outro lado, o indicador de situação atual seguiu em 20 pontos - o pior da região, ao lado de Chile e Venezuela.
"Em termos econômicos, nada mudou no Brasil e a queda no Produto Interno Bruto [PIB] deve ser, na melhor das hipóteses, igual à do ano passado. Esse aumento no IEC tem mais a ver com a expectativa relacionada às questões políticas", explicou Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A especialista afirmou que o desempenho econômico da região, abaixo da média dos últimos dez anos, é prejudicado pela queda do preço das commodities, "um problema em comum na maior parte do continente". Ainda assim, ela ressaltou que alguns países enfrentam também problemas domésticos que tornam a situação ainda pior.
"No Brasil, por exemplo, temos uma conjunção de várias complicações, como inflação, desemprego, déficit público elevado e falta de confiança no governo. É por isso que o IEC daqui só é maior que o da Venezuela e o do Equador."
De acordo com a sondagem, os principais problemas enfrentados pelo Brasil são, em ordem de importância: a falta de confiança nas políticas do governo, o déficit público, o desemprego e a falta de competitividade internacional.
No topo
O Paraguai teve a melhor avaliação do IEC em abril. Os 105 pontos foram obtidos graças à avaliação positiva do mercado sobre o presidente Horacio Cartes, justificou Valls. "Ele tem promovido mudanças importantes para atração de investimento e para melhora no mercado trabalho", disse.
Na segunda posição, aparece o Peru, com 104 pontos. Segundo a pesquisadora, "bons indicadores econômicos e boa perspectiva para as eleições presidenciais deste ano" favoreceram o resultado do país.
Já a Argentina teve leve queda no último levantamento e foi ultrapassada pela Bolívia, que ocupa a terceira colocação. Em abril, o IEC argentino ficou em 97 pontos, ante 109 pontos no primeiro mês de 2016. O arrefecimento foi causado pela queda no indicador de expectativas, que baixou de 166 pontos para 140 pontos.
Após a "euforia" inicial com a eleição de Mauricio Macri, o indicador desceu a patamar mais baixo, "porque a situação econômica não é boa", disse Valls. Segundo ela, a inflação e o desemprego elevados são os principais problemas locais.
Na ponta oposta da tabela, a Venezuela segue com 20 pontos, mantendo os piores dados da América Latina nos indicadores de situação atual e de expectativas. Também abaixo do Brasil, o Equador marcou 44 pontos em abril.
Oportunidade na região
Por outro lado, relatório da Deloitte aponta que a América Latina oferece boas oportunidades para empresas brasileiras que queiram expandir seus negócios. O dólar forte, a demanda interna retraída e a desaceleração chinesa tornariam a região ainda mais atraente para companhias do País.
"A região tem economia diversa, grande e em crescimento, com uma população que também está crescendo", destacou Omar Aguilar, líder de consultoria em estratégia e operações da Deloitte para a região das Américas.
Segundo o analista, a diversificação de capital entre os países da região deve favorecer empresas brasileiras, especialmente durante crises. "E a localização geográfica torna o investimento mais barato", comentou a especialista.