A percepção do industrial de melhora da economia deve manter um ritmo lento de recuperação. A opinião é do o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo Azevedo.
Segundo ele, desde outubro as expectativas dos empresários vêm registrando leve melhora. "Houve um salto em maio. Os empresários perceberam a deterioração da economia, mas o ritmo de piora diminuiu. Uma tendência que ficou mais forte esse mês, entretanto, trata-se de um movimento lento e gradual", disse Azevedo.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado ontem pela CNI, alcançou 41,3 pontos em maio, o maior patamar em 16 meses. Apesar da alta, o índice segue abaixo de 50 pontos, indicando falta de confiança.
A elevação de 4,5 pontos de abril para maio foi o mais expressivo desde o início da série histórica em janeiro de 2010. Em relação a maio de 2015 houve alta de 1,7 ponto.
Entre os setores, a indústria extrativa é o mais confiante este mês, com 45,4 pontos. Já o Icei da indústria da transformação foi a 41,3 pontos e o da construção a 40,4 pontos.
No recorte por porte da empresa, as grandes são as mais otimistas (43 pontos) em maio. O indicador das médias empresas atingiu 40,2 pontos e, para as pequenas, 38,8 pontos.
Azevedo avalia que a resolução do impasse sobre o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff deu um alento ao empresariado. "A indústria vem apresentando problemas há algum tempo, de excesso de estoque e ociosidade, e instabilidade política inviabilizava soluções nesse sentido", observa o economista.
Para ele, uma volta do otimismo dos empresários depende da resposta política que será dada aos problemas da indústria. "A situação melhorará de fato quando as condições melhorarem, com aumento da demanda, maior oferta de emprego e poder de consumo. Neste momento as condições estão apenas piorando menos", destaca ele.
Setorial
Entre os setores que apresentaram os melhores índices de expectativa, a indústria farmacêutica se destaca, passando de 43,8 em abril para 46,4 pontos em maio.
Azevedo explica que esse índice reflete o momento em que o setor começou a sentir os efeitos da crise econômica de maneira mais forte. De acordo com ele, as farmacêuticas foram as últimas a refletir a piora da economia.
Valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança do empresário. Quanto mais abaixo de 50 pontos, maior e mais disseminada é a falta de confiança, conforme a CNI.