O Brasil vive momento da maior importância porque chegou a um ponto de decisão, de acordo com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. “Esse ponto é agonizado pela nossa crise econômica. Dependendo dos resultados desse ano, nós teremos a maior recessão na economia brasileira desde que começou a ser medido o PIB em 1992”, afirmou ele, durante palestra no Ciab, promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) na capital paulista.
De acordo com ele, a crise atual é pior que a de 1929 e levou o desemprego ao patamar atual, de mais de 10 milhões de desempregados no Brasil. Lembrou ainda que o cenário atual contamina o processo de funcionamento da economia, com aumento “muito grande” de incertezas, declínio nas decisões de consumo, investimento e contratação.
“Tenho recebido setores da economia, industriais, por exemplo, que reportam ociosidade acima de 40%. É uma situação dramática na economia. Há pátio de fábricas parados, com investimentos recentes, em 50% de sua capacidade”, destacou Meirelles.
O ministro afirmou ainda que o Brasil tem de enfrentar a situação atual. Segundo ele, estudo mostra que os países só saíram de crises através de identificação e resolução dos principais problemas que os afetavam mais diretamente naquele momento. “A tentativa desorganizada de atacar todo tipo de problema demanda muito esforço, impressiona bem em termos de resultados, mas mostram serem basicamente ineficazes”, destacou Meirelles.
No início de seu discurso, comentou sobre a possibilidade de a tecnologia, foco do evento voltado ao setor bancário, melhorar o relacionamento da sociedade com o sistema financeiro. Segundo ele, a tecnologia abre as portas para aumentar a velocidade das transações a um custo mais baixo, melhorar serviços, mas, principalmente, começar a mudar a relação da sociedade com o dinheiro.
“A tecnologia hoje não só é o presente, mas, cada vez mais, o futuro. E-commerce chega a transações financeiras para ficar e, principalmente, começar a mudar a relação da sociedade com o dinheiro e o sistema financeiro. Ainda hoje tem relação muitas vezes percebida de dificuldade de serviços. A tecnologia pode, cada vez mais, resolver essa questão. É um desafio”, disse Meirelles.
Ansiedade - O ministro da Fazenda voltou a bater na tecla da necessidade de a sociedade conter a ansiedade por ver os problemas econômicos que afetam o País serem resolvidos no curtíssimo prazo. De acordo com ele, a economia vai voltar a crescer, mas não será de uma hora para outra. “Estamos aqui para endereçar e resolver os problemas, que são muitos”, disse o ministro.
Meirelles disse que as pessoas costumam questioná-lo se a solução dos problemas será para o próximo ano e põem em dúvida as medidas anunciadas, pelo fato de o governo atual estar atuando na interinidade. Mas, de acordo com ele, o governo não está focando o curto prazo, está olhando para daqui a 20 anos.
“Quando fui convidado para vir para a Fazenda, aceitei porque queria fazer um projeto para o Brasil. Não para um governo. Pouco me importa quem estará na cadeira da Presidência (da República) daqui a três meses ou dez anos”, disse Meirelles. Segundo ele “estamos num momento harmônico de redução de gastos”.
Meirelles voltou a sublinhar que daqui para frente o governo não mais permitirá que o crescimento dos gastos públicos supere a variação da inflação. “Crescimento de gastos daqui para frente será zero acima da inflação”, reiterou.
Ele disse entender também que a redução dos gastos públicos é que vai criar as condições para que a taxa de juro estrutural da economia possa engatar uma trajetória de queda.