A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), maior acionista minoritária da Usiminas fora do bloco de controle, nunca brigou concorrencialmente com a siderúrgica mineira por estar no seu capital social, disse ontem o diretor institucional da empresa, Luiz Paulo Barreto. Segundo ele, a CSN investiu quase R$ 4 bilhões na Usiminas e isso explica o interesse na empresa. “A CSN tem direito de saber como andam seus investimentos, tem o direito de cobrar e se posicionar, de forma direta ou pública, queremos transparência”, afirmou a jornalistas, na sede da CSN em São Paulo.
Barreto disse ainda que o desejo da CSN é de um mercado siderúrgico forte no Brasil, para todas as usinas instaladas. Segundo ele, diante do contexto atual do mercado brasileiro, as siderúrgicas não têm concorrência interna, mas global, com a China, maior produtora de aço do mundo. A divergência, assim, segundo o executivo, é de como os acionistas controladores administram a companhia. O grupo ítalo-argentino Ternium/Techint e a japonesa Nippon Steel há dois anos vivem uma briga societária que tem prejudicado a companhia, que já passa por um momento desafiador por conta do excesso de demanda no mundo. A Usiminas está perto de homologar seu aumento de capital de R$ 1 bilhão, feito para dar fôlego à empresa, que já estava sem caixa de curto prazo.
O advogado da CSN, Walfrido Warde Jr, disse que a percepção da CSN é que essa situação é reversível, com uma “injeção de transparência e governança da Usiminas”. Neste ano, a CSN conseguiu eleger dois indicados ao Conselho de Administração da Usiminas, após aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que trabalhou para se certificar sobre a independência dos nomes apontados pela CSN.
A CSN afirma “estar muito preocupada” com o tratamento considerado por ela “raso” dado à questão do aumento em número e valor de contratos do Grupo Nippon Steel com a Usiminas, de menos de R$ 4 bilhões declarados em 2011 para R$ 20 bilhões em 2014, como consta no respectivo formulário de referência. Carta - Na nota publicada em jornais de ontem, a CSN lembra que é a maior acionista brasileira da Usiminas e que o grupo japonês “insiste em negar informações públicas”. A Nippon publicou na segunda-feira carta alegando que a concorrente tem conduzido campanha “espalhando críticas infundadas” contra a Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation”.